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Fígado gordo e hepatites: o que o cirurgião do aparelho digestivo tem a ver com isso

Julho é o mês de conscientização sobre as hepatites virais, o chamado Julho Amarelo. E é uma boa oportunidade pra falar sobre um tema que anda lado a lado com isso, mas que recebe bem menos atenção: o fígado gordo. Diferente do que muita gente pensa, cuidar do fígado não é assunto só de hepatologista. Cirurgião do aparelho digestivo também entra nessa conversa, principalmente quando o fígado gordo está ligado a excesso de peso e obesidade.

Neste artigo vou explicar o que é o fígado gordo, por que ele está cada vez mais comum, como ele se relaciona com obesidade e cirurgia bariátrica, o básico sobre hepatites virais, e em que momento faz sentido procurar um cirurgião do aparelho digestivo pra cuidar disso.

O que é fígado gordo e por que está cada vez mais comum

Fígado gordo, ou esteatose hepática, é o acúmulo de gordura dentro das células do fígado. Em pequena quantidade, isso não costuma causar problema. Mas quando o acúmulo aumenta, o fígado gordo pode evoluir pra inflamação, chamada esteato-hepatite, e, em casos mais avançados, pra fibrose e cirrose.

O que preocupa é a velocidade com que o fígado gordo vem crescendo como diagnóstico. Ele já é considerado a doença hepática mais comum do mundo, impulsionado por fatores como sedentarismo, alimentação rica em açúcar e gordura, e o aumento nos índices de obesidade. Boa parte das pessoas com fígado gordo não sente nenhum sintoma no início, o que faz o problema avançar silenciosamente até aparecer em um exame de rotina, geralmente um ultrassom pedido por outro motivo.

A relação entre obesidade, bariátrica e saúde do fígado

Aqui está a conexão que menos gente enxerga: o fígado gordo tem ligação direta com o excesso de peso. Quanto maior o acúmulo de gordura corporal, principalmente na região abdominal, maior a tendência de acúmulo de gordura também no fígado. Por isso, pacientes com obesidade têm uma prevalência bem mais alta de fígado gordo do que a população em geral.

É justamente por essa relação que a cirurgia bariátrica entra como parte do cuidado com o fígado em muitos casos. A perda de peso após a bariátrica costuma reduzir significativamente a gordura acumulada no fígado, e em vários pacientes o quadro de fígado gordo melhora de forma expressiva depois da cirurgia. Ou seja, quem trata a obesidade de forma adequada frequentemente também está tratando o fígado, mesmo que esse não seja o objetivo principal da cirurgia.

Isso não quer dizer que toda pessoa com fígado gordo precisa de cirurgia bariátrica. Na maioria dos casos, mudanças de hábito, alimentação e atividade física já trazem melhora significativa. Mas em quadros de obesidade mais avançada, associados a fígado gordo, a bariátrica pode ser um caminho relevante a considerar, dentro de uma avaliação individual.

Hepatites virais: o básico que todo mundo deveria saber

O Julho Amarelo existe pra chamar atenção justamente pras hepatites virais, principalmente as hepatites B e C, que muitas vezes também não dão sintomas por anos. Diferente do fígado gordo, que tem origem metabólica, as hepatites virais são causadas por vírus que atacam diretamente o fígado e podem levar à inflamação crônica, fibrose e cirrose se não forem tratadas.

A hepatite B tem transmissão principalmente por contato com sangue e relações sexuais sem proteção, e conta com vacina disponível na rede pública. Já a hepatite C, historicamente mais associada a transmissão sanguínea, hoje tem tratamento com taxas de cura bastante altas, quando diagnosticada. O grande desafio das duas é justamente o diagnóstico: como boa parte dos casos é silenciosa, muita gente só descobre que tem hepatite quando o fígado já está bastante comprometido.

Por isso a recomendação de exame de sangue de rotina pra hepatites, principalmente pra quem nunca testou, é tão importante quanto qualquer outro exame preventivo. É um exame simples, acessível, e que pode identificar um problema anos antes de ele se tornar grave.

Quando o cirurgião do aparelho digestivo entra nesse cuidado

Um cirurgião do aparelho digestivo não trata hepatite viral diretamente, esse acompanhamento costuma ficar com o hepatologista ou infectologista. Mas quando o assunto é fígado gordo ligado à obesidade, o cirurgião entra como parte importante da equipe, principalmente em dois momentos: na avaliação inicial, quando o fígado gordo aparece em exames de imagem feitos antes de uma cirurgia abdominal ou bariátrica, e no acompanhamento pós-operatório, observando a evolução do fígado depois da perda de peso.

Também existe uma relação direta em outro sentido: em pessoas com obesidade que vão passar por qualquer cirurgia abdominal, o fígado gordo pode influenciar a avaliação pré-operatória, e é importante que o cirurgião tenha esse retrato completo antes de indicar qualquer procedimento.

A visão mais ampla que muda o cuidado

O Dr. Juliano Gressler é cirurgião especializado em aparelho digestivo, videolaparoscopia e cirurgia robótica, e atua com foco também em cirurgia bariátrica em Santo Ângelo e região. Nessa área, o acompanhamento de pacientes com obesidade passa necessariamente por entender o estado do fígado, já que fígado gordo é um achado comum em quem chega pra avaliação bariátrica. Essa visão mais ampla do aparelho digestivo, que inclui desde cirurgia robótica até o acompanhamento de quadros metabólicos como o fígado gordo, é o que permite um cuidado que vai além do procedimento cirúrgico isolado.

O que fazer se você nunca investigou seu fígado

Se você nunca fez um exame de sangue pra hepatites, ou não sabe se tem fígado gordo, o Julho Amarelo é um bom lembrete pra colocar isso em dia. São exames simples, muitas vezes já disponíveis na rede pública, que podem identificar precocemente um problema que, sem tratamento, evolui de forma silenciosa por anos.

Fígado gordo tem tratamento, principalmente quando identificado cedo. E quando está associado à obesidade, entender essa relação com um profissional que enxerga o quadro completo, não só o fígado isolado, faz toda diferença no resultado. Vale marcar uma avaliação e tirar essa dúvida do papel.estivo do paciente.

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